As inúmeras páginas de jornais e as horas a fio dedicadas ao tema pelas rádios e TVs confirmam: ou o Brasil prioriza o investimento em infra-estrutura, ou muito mais cedo do que se espera enfrentaremos um caos econômico que fatalmente descambará para um quadro de trágicas conseqüências sociais. As más condições das estradas são, sem dúvida, o caso mais graves, mas a infra-estrutura nacional de transporte também é péssima nos outros modais. Os resultados econômicos ainda modestos e os trágicos números de mortes podem – e devem – ser também atribuídos, sem medo de errar, às péssimas condições de nossas rodovias, à falta de estrutura de nossos portos e aeroportos e à ausência de uma política séria de aproveitamento de nosso potencial aquaviário.
Há poucos dias o jornal britânico “The Guardian” destacou o bom momento econômico do Brasil. Para o jornal estaríamos, enfim, deixando de ser “o país do futuro”. O “gigante adormecido da América do Sul” estaria finalmente dando sinais de que desperta para ocupar lugar de destaque no cenário econômico, político e social mundial. Este é um otimismo com o qual, infelizmente, não pode concordar quem, como nós, transportadores, vive o dia-a-dia da infra-estrutura brasileira. Não é por outra razão que há anos batemos na mesma tecla: ou o Brasil investe em infra-estrutura ou dificilmente alcançará o futuro de maravilhas que muitos insistem em profetizar.
Nós nordestinos sabemos o quanto esta verdade é dolorosa, pois trafegamos em estradas deploráveis, operamos em portos e aeroportos tacanhos e continuamos a esperar por uma política séria, exeqüível e real para o vasto potencial hidroviário de que dispomos.
O pior, porém, é constatar que a grave situação nordestina é tão ruim quanto a que se verifica na maior parte do país. Por todo o Brasil verificam-se deficiências em relação à oferta de infra-estrutura de transporte, numa lastimosa situação que dificulta o deslocamento de pessoas e bens, aumenta custos dos produtos e diminui nossa competitividade no mercado internacional.
O transporte não é uma simples atividade econômica. O transporte une pessoas e gera riquezas, pois minimiza distâncias entre centros produtores e os mercados consumidores. Assim, não é exagero afirmar que o crescimento do país dependente de sistema de transportes eficiente e de qualidade.
O Plano CNT de Logística elaborado pela Confederação Nacional do Transporte reúne propostas de projetos, e estimativas de investimento mínimo, com o objetivo de adequar a infra-estrutura do Brasil às reais necessidades da cadeia produtiva e da sociedade.
Na próxima quarta-feira, dia 21 de maio, a CNT dará prosseguimento à série de seminários regionais que está realizando pelo País para apresentar o Plano, com a realização do “Seminário Regional Nordeste do Plano CNT de Logística”, que acontecerá em Recife. O evento objetiva mobilizar a sociedade organizada, os setores produtivos e os transportadores em torno das principais questões de infra-estrutura e logística do transporte, propondo projetos que potencializem o desenvolvimento regional.
No que diz respeito à região Nordeste, o Plano propõe 150 projetos cujos investimentos necessários para implementação são estimados em um valor mínimo de R$ 58,7 bilhões. O número total de projetos, dentre construção e adequação, por tipo de infra-estrutura está assim distribuído: 64 projetos em rodovias, 33 de ferrovias, cinco no modal hidroviário, oito em aeroportos, 13 terminais intermodais e 27 projetos em portos da costa nordestina.
Importante ressaltar que a razão principal do evento que se realizará dia 21 em Recife é ouvir a região para que o Plano CNT de Logística seja acrescido, aperfeiçoado, modificado de forma a atender mais plenamente as demandas que o Nordeste reclama.
Destacaria aqui o que o plano prevê para Pernambuco, Paraíba e Alagoas, três Estados da base da Fetracan. Em Pernambuco, o Plano CNT propõe, entre outras obras, a ampliação do aeroporto do Recife, a construção de 714 quilômetros da ferrovia Transnordestina, a dragagem do porto de Suape e a duplicação de 91 quilômetros da BR-116.
Na Paraíba, recuperação de 467 quilômetros de ferrovias e a dragagem do porto de Cabedelo. E em Alagoas, melhoria do acesso ferroviário ao porto de Maceió e a duplicação de 220 quilômetros da BR-101, que corta do Estado.
O seminário da região Nordeste acontecerá na Assembléia Legislativa de Pernambuco, espaço democraticamente cedido pelos deputados pernambucanos para que lideranças de vários segmentos políticos, econômicos, sociais e comunitários, juntas, debatam a infra-estrutura de logística ideal para o Nordeste brasileiro.
Acreditamos que o “Seminário Regional Nordeste do Plano CNT de Logística” encontrará excelente acolhida entre nós. Afinal, é uma excelente oportunidade para se discutir a infra-estrutura de transporte que nossa região precisa. Esperamos que deste encontro saiamos fortalecidos para dizer, alto e bom som, às autoridades que soluções queremos para os graves problemas de logística em transporte que afligem o Nordeste e os nordestinos.

