EDITORIAL – Pernambuco de fora
Este jornal aplaudiu – e aplaude – a corajosa determinação da presidente Dilma Rousseff em buscar parcerias com a iniciativa privada para investimentos em grandes projetos de infraestrutura, sem os quais o País não pode crescer nos níveis desejáveis. São novas obras rodoviárias, ferroviárias e portuárias que o governo sozinho não tem como tocar e podem ser realizadas pela iniciativa privada. Entretanto, esse mega programa governamental de logística para o desenvolvimento surpreendentemente exclui Pernambuco.
A princípio, não nos parece que tenha sido por falta de prestígio pessoal ou político do governador Eduardo Campos, que é, também, presidente nacional do Partido Socialista Brasileiro (PSB), da base de apoio ao governo federal. Da mesma forma é impensável que a presidente Dilma desconheça as nossas necessidades, tantas vezes já veio aqui para ver e ouvir, não apenas em relação a Pernambuco, mas a todo o Nordeste. Quando se sabe que temos, entre tantas outras carências, rodovias federais se acabando por falta de conservação e trechos que precisam ser duplicados para permitir o acelerado crescimento da economia, a fim de dar respostas igualmente rápidas à bandeira do governo federal, segundo a qual país rico é país sem pobreza.
Temos, sim, problemas de manutenção de rodovias federais e, mais que tudo, temos potencial para a abertura de novas estradas. Noutro caminho, padecemos da incompreensível desativação do que tínhamos de malha ferroviária e ainda temos um porto fluvial viável em Petrolina, abrindo-se, assim, um enorme leque de obras públicas urgentes e indispensáveis até mesmo para compensar os históricos desníveis inter-regionais. O que mais causa estranheza nessa exclusão de Pernambuco é a especulação que se seguiu ao anúncio do programa e a pouca – ou nenhuma – atenção que o governador Eduardo Campos recebeu de Brasília. Isso, quando se sabe que o nosso governador vinha despertando ciumeira nas lideranças políticas do Sudeste pelo tratamento supostamente preferencial de Brasília. Agora, a versão corrente é que ele pretendia conversar com a presidente e sequer foi recebido.
No meio dessa história de problema de agenda da presidente estariam os estilhaços do confronto eleitoral agora agravado com as mais recentes pesquisas de opinião pública que mostram uma extraordinária ascensão do candidato do governador à Prefeitura do Recife. Um rompimento do que parecia uma formação monolítica e que inevitavelmente agravaria ainda mais a situação de um Partido dos Trabalhadores fragmentado.
Pode-se até entender que as rusgas políticas tendem a provocar fraturas, mas quando elas se refletem na vida das pessoas e deixam sequelas que comprometem o desenvolvimento do nosso Estado, aí então é o caso de se cobrar explicações, para que a população não se sinta agredida pela exclusão em decorrência de desentendimentos eleitorais.



