Acostamento da BR-040 vira ‘estacionamento’

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A insistência dos motoristas em desrespeitar a proibição de caminhões de grande porte subirem a Serra de Petrópolis, nas noites de sexta-feira e manhãs de sábado, está, agora, provocando um longo engarrafamento no acostamento da BR-040 (Rio-Juiz de Fora), que virou “estacionamento”. Depois de reportagem do GLOBO revelar, há cerca de 20 dias, que o bloqueio estava sendo burlado, agentes da Polícia Rodoviária Federal intensificaram a repressão e, barrados, os veículos estacionam na rodovia aguardando a liberação da via.

Os caminhoneiros chegam a ficar horas parados até o fim do bloqueio determinado por resolução da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A área usada, sem qualquer repressão de policiais rodoviários, é destinada a situações de emergência. A infração é gravíssima e prevê multa de R$ 574,62. Na última sexta-feira, a poucos metros da barreira de policiais para fazer valer a resolução, caminhoneiros aproveitavam o tempo para preparar o jantar ou fazer uma faxina no veículo. O efeito colateral da bandalha já começa a aparecer: prostituição e venda de drogas no local.

Concer: só obras resolverão

Desde fevereiro, a resolução da ANTT proíbe a circulação de caminhões com três eixos ou mais na pista de subida da Serra de Petrópolis, entre os quilômetros 101 e 82, às sextas-feiras e vésperas de feriados, das 16h às 22h, e aos sábados, das 8h às 14h. O objetivo é melhorar o fluxo do tráfego e reduzir o risco de acidentes. Mas já começam a surgir brechas. Desde 18 de abril, um ofício da ANTT permite a circulação de caminhões de combustíveis, que foram considerados “veículos prestadores de serviços de utilidade pública”.
— Eles abriram uma exceção para o transporte mais perigoso, o de combustível — observou o médico Gustavo Prado, de 37 anos, que passa os fins de semana em seu sítio, em Itaipava. — Melhorou o trânsito, mas o perigo de um acidente grave com essas carretas circulando ainda é o mesmo.

Na sexta-feira passada, agentes da PRF montaram bloqueios depois do pedágio e no Km101, em Xerém. Já no sábado, não havia policiamento e muitos caminhoneiros se arriscavam na bandalha. A multa para quem fura o bloqueio é de R$ 85,13.

— É muito mais barata do que a multa por estacionar em acostamento. Arrisquei — afirmou Antônio Nunes, de 54 anos, que transportava carvão e sábado furou o bloqueio.

Para ser multado, o caminhoneiro tem que ser flagrado pela fiscalização, porque as câmeras da Concer permitem a leitura de placas, mas não podem ser usadas para aplicação de multas. Isso acontece porque ainda não há convênio entre a concessionária e a PRF.

— Sem ter onde estacionar, sou obrigado a parar no acostamento — disse o caminhoneiro Luiz Silva, de 45 anos.

Morador de Petrópolis, o engenheiro Fernando Vargas, de 48 anos, criticou a forma como a regra vem sendo aplicada:

— Essa fila de caminhões no acostamento é um perigo

A Concer alega ter feito campanhas de conscientização dos motoristas. O presidente da concessionária, Pedro Johnson, diz que o problema só será resolvido com a duplicação da estrada, que, de acordo com ele, começa em 30 dias. O chefe de Policiamento e Fiscalização da 5ª Superintendência da PRF no Rio, inspetor Marcos Prado, disse que, sábado, as equipes do bloqueio tiveram que ser deslocadas para dois acidentes. Segundo ele, seis caminhões foram multados, um dos Correios. Ele admitiu, porém, que faltam agentes para fiscalizar a decisão da ANTT.

Fonte: abtc.org.br

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